Opioide na cirurgia cardíaca, maléfico ou não?

O uso prolongado de opioides já foi associado com risco cardiovascular, apesar da fisiopatologia ainda não ser totalmente esclarecida. Alguns casos já relacionaram o uso persistente de opioides com doença coronariana, infarto do miocárdio, baixa perfusão pós infarto do miocárdio e até morte. Tanto pessoas com overdose e uso persistente de opioides prescritos, quanto pessoas que fazem uso de opioides de fontes ilegais estão sujeitas a este risco.

Com o objetivo de avaliar o uso de opioides nos resultados de cirurgia cardíaca, um estudo [1] analisou os dados de pacientes com estes parâmetros. Dos 5.718.552 pacientes incluídos no banco de dados analisado, 11.359 (0,2%) tinham critérios para transtorno relacionado ao uso de opioides (TRUO).

Pacientes com TRUO eram mais jovens, submetidos principalmente a cirurgia de valva ou de aorta e as cirurgias tinham mais caráter de urgência. O estudo utilizou dados de 1998 até 2013, sendo visto um aumento de 8 vezes o número de casos operados anualmente com TRUO desde o início da coleta. A mortalidade não teve uma mudança significativa, porém, a morbidade e complicações pós-operatórias, sim. Com isso, houve maior risco de transfusão de sange, tromboembolismo pulmonar, maior tempo de ventilação mecânica, entre outras complicações.

O estudo conclui que o TRUO pré-operatório não aumenta a mortalidade, mas a morbidade e os custos hospitalares. Além disso, a tendência é que os cirurgiões cardíacos irão encontrar cada vez mais pacientes com este distúrbio, devendo gerenciar adequadamente os fatores perioperatórios específicos desta população. Apesar disso, não deve ser cancelada uma cirurgia por TRUO, sendo sugerida monitorização meticulosa.

Referência

1. Dewan KC, Dewan KS, Idrees JJ, Navale SM, Rosinski BF, Svensson LG, et al. Trends and Outcomes of Cardiovascular Surgery in Patients With Opioid Use Disorders. JAMA Surg. 2018.

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