Seriam os dispositivos de assistência ventricular mecânica capazes de mudar a expressão proteica do paciente com insuficiência cardíaca?

 

Nos últimos anos, tem crescido o uso de aparelhos de suporte circulatório mecânico, especialmente, o uso de dispositivos de assistência ventricular em pacientes em estágio terminal de insuficiência cardíaca. Tais pacientes se beneficiam não somente pela melhora do prognóstico, já que, muitas vezes, eles são usados como ponte para o transplante cardíaco, mas também, pela melhora da qualidade de vida.

Devido ao aumento do uso dos dispositivos de assistência ventricular, vários estudos têm tentado demonstrar quais as alterações provocam a nível anatômico e a nível molecular no músculo cardíaco. Os mecanismos descritos envolvem mudanças na expressão gênica, na expressão proteica e nos fatores neuro- hormonais e imunológicos.

Alguns autores denominam tais alterações de “Remodelamento Reverso”, que podem melhorar a função cardíaca após a implantação do dispositivo.

Num estudo experimental recente, Shahinian et al avaliaram a expressão proteica de 11 pacientes submetidos a suporte circulatório mecânico, do tipo assistência ventricular esquerda, e que, posteriormente, foram submetidos a transplante cardíaco. Após a utilização de critérios estatísticos, foram encontradas 56 proteínas que sofreram “down regulation” e 43 que sofreram “up regulation” após o uso do suporte. Dentre as proteínas que diminuíram após a implantação estão os proteoglicanos, proteínas de matriz extracelular, fatores do complemento e hormônios peptídeos cardíacos. Dentre as proteínas que aumentaram estão proteínas do sistema imune inato, proteínas ligadas ao metabolismo celular e proteínas relacionadas à síntese proteica.

Dessa forma, os dispositivos de suporte circulatório mecânico têm se mostrado uma via de modificação da expressão proteica do miocárdio de pacientes em fase avançada de insuficiência cardíaca, o que pode no futuro, ampliar seu uso em mais pacientes a fim de evitar o agravamento da doença.

Referências:

1. Miyagawa S, Toda K, Nakamura T, Yoshikawa Y, Fukushima S, Saito S, Yoshioka D, Saito T, Sawa Y. Building a bridge to recovery: the pathophysiology of LVAD-induced reverse modeling in heart failure. Surg Today. 2016 Feb;46(2):149-54. doi: 10.1007/s00595-015-1149-8. Epub 2015 Apr 4.

2. Jasmin Hasmik Shahinian Bettina Mayer Stefan Tholen Kerstin Brehm Martin L. Biniossek Hannah Füllgraf Selina Kiefer Ulrike Heizmann Claudia Heilmann Florian Rüter Martin Grapow Oliver Thomas Reuthebuch Friedrich Eckstein Friedhelm Beyersdorf Oliver Schilling Matthias Siepe. Proteomics highlights decrease of matricellular proteins in left ventricular assist device therapy. Eur J Cardiothorac Surg (2017) 51 (6): 1063-1071.

0