18/10 Dia do Médico: A profissão médica ao longo da história e os desafios atuais

A Medicina acompanha o desenvolvimento da humanidade desde suas origens e grandes nomes definiram a profissão ao longo dos séculos. Já na Pré-História, existem vestígios do uso de ervas medicinais, rituais e cirurgias simples como formas rudimentares de alívio do sofrimento e tratamento de doenças, embora os primeiros registros escritos tenham surgido muitos anos depois, na Mesopotâmia e no Egito. Na Grécia Antiga, Hipócrates (460-370 a.C.), considerado o “pai da Medicina”, passou a buscar respostas ao adoecimento pautadas na observação dos processos naturais, afastando-se das típicas explicações baseadas no sobrenatural e no divino. Seu legado atravessou eras e permanece presente no juramento hipocrático, associado à ética médica. Posteriormente, na Roma Antiga, Galeno (129-216 d.C.) realizou dissecações em animais e desenvolveu diversas teorias a partir desses estudos, contribuindo imensamente para a ampliação dos conhecimentos anatômicos e fisiológicos.

Embora o objetivo das técnicas e conhecimentos de diferentes épocas fosse o mesmo, ou seja, a preservação da vida e redução do sofrimento humano, a prática médica apresentava diversas limitações. As intervenções empíricas e a carência de uma metodologia organizada, sem a verificação efetiva de hipóteses e resultados, favoreceu o surgimento de conclusões equivocadas, que se perpetuaram por séculos.

Com o Renascimento e a Revolução Científica, que estabeleceram a implantação do método científico, pautado na observação, testagem e investigação de forma sistematizada, houve um aprimoramento da confiabilidade dos métodos médicos e a produção de novos conhecimentos. Tal evento repaginou a Medicina à maneira como a conhecemos hoje: baseada em evidências e fundamentada em resultados replicáveis.

Ao considerar o cenário atual, vale compreender que a principal dificuldade encontrada pelos profissionais médicos deixou de ser a incompreensão dos mecanismos patológicos e passou a ser a custosa conciliação dos avanços científicos com as demandas em saúde, perfis patológicos populacionais, recursos e magnitude dos sistemas de saúde. No que se refere à realidade brasileira, o mesmo cenário cursa com uma expansão progressiva do número de profissionais médicos no país. Segundo projeções da Demografia Médica do Brasil, em 2025 o país contava com aproximadamente 635 mil médicos, ou cerca de três profissionais para cada mil habitantes. Esse número cresceu de forma acelerada nos últimos 15 anos e, segundo as projeções atuais, esse valor deve dobrar novamente em dez anos, chegando a cerca de 1,15 milhão de profissionais, o equivalente a 5,25 médicos para cada mil habitantes[1].

Entre as principais consequências desse crescimento acelerado estão as dificuldades relacionadas à formação médica, em especial no que diz respeito à sua qualidade e consonância aos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS) e suas demandas. Assim, entre 2025 e 2026, intensificaram-se as discussões sobre a qualidade da formação e a capacitação dos médicos recém-formados, o que levou a propostas de avaliação de estudantes e instituições. Dentre as principais alternativas em destaque, encontra-se o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), utilizado como instrumento de avaliação das instituições de ensino, com previsão de sanções em caso de desempenho insatisfatório[2].

Outro ponto a se destacar é a judicialização da Medicina, que tem se tornado cada vez mais prevalente e noticiada, configurando mais um dos múltiplos desafios à prática médica. Segundo um levantamento realizado no início de 2024 pela Associação Paulista de Medicina, o Brasil registrava cerca de 574 mil processos, associados a uma população de aproximadamente 562 mil médicos, o que representa, em média, mais de um processo por profissional, com tendência de aumento nos próximos anos[3]. Tais números trazem à tona temas como responsabilidade civil, acesso aos serviços de saúde e segurança assistencial e exigem, cada vez mais, uma reflexão elaborada e integral acerca de documentação médica satisfatória, qualidade do atendimento e construção de uma relação médico-paciente pautada em confiança e transparência.

Por fim, pode-se inferir que a Medicina, desde a Pré-História, acompanha e se adapta às transformações tecnológicas e necessidades da humanidade. Com suas habilidades e conhecimentos, um médico desempenha o papel fundamental de resguardar a vida e a saúde de forma ética, enfrentando novos desafios que afetam a rotina e a segurança da profissão, o que exige, mais uma vez, adaptações às demandas do mundo contemporâneo. Dessa forma, a comemoração de 18 de outubro, o Dia do Médico, representa o reconhecimento não apenas da contribuição e importância desses profissionais para a sociedade, mas também da valorização de uma formação integral de qualidade, melhores condições laborais e, principalmente, de uma atuação comprometida com a ciência e humanização.

 

Referências

  1. Scheffer M, coordenador. Demografia médica no Brasil 2025 [Internet]. Brasília, DF: Ministério da Saúde; 2025 [citado 2026 out. 3]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/demografia_medica_brasil_2025.pdf.
  2. Associação Médica Brasileira (AMB). Valor Econômico: Maus resultados no Enamed impulsionam o debate sobre a qualificação dos médicos [Internet] [citado 2026 out. 3]. Disponível em: https://amb.org.br/valor-economico-maus-resultados-no-enamed-impulsionam-o-debate-sobre-a-qualificacao-dos-medicos/.
  3. Associação Paulista de Medicina (APM). Infográfico apresenta panoramas da Judicialização da Saúde e da Medicina no Brasil [Internet] [citado 2026 out. 3]. Disponível em: https://www.apm.org.br/infografico-apresenta-panoramas-da-judicializacao-da-saude-e-da-medicina-no-brasil/.
3