Blue baby operation: 75 anos de uma nova era na cirurgia cardiovascular

Em 29 de novembro de 1944, Alfred Blalock, Vivien Thomas e Helen Taussig deram início a uma nova era da cirurgia cardiovascular ao realizaram pela primeira vez, no hospital Johns Hopkins, a cirurgia denominada blue baby operation

O procedimento foi realizado em uma criança de 18 meses de idade, Eileen Saxon, portadora de tetralogia de Fallot, uma cardiopatia congênita que a deixava com os lábios de cor azulada. Ela foi a primeira criança a ser submetida ao procedimento que chamamos hoje de cirurgia de Blalock-Taussig clássica. Até então, a maioria das crianças com essas cardiopatias morria precocemente. 

Da esquerda para a direita: Alfred Blalock, Vivien Thomas e Helen Taussig.

A cirurgia de Blalock-Taussig é definida como uma anastomose sistêmico-pulmonar, envolvendo as artérias subclávia e pulmonar. O propósito da operação é aumentar a circulação pulmonar e proporcionar uma melhor saturação de oxigênio no sangue arterial. 

Esse é um procedimento indicado para pacientes com cardiopatias congênitas cianóticas com hipofluxo pulmonar, como hipoplasia do ventrículo direito, atresia pulmonar e tetralogia de Fallot. Essas doenças causam um desvio de fluxo venoso para a circulação sistêmica através da aorta com um sangue pobre em oxigênio, ocasionando a coloração azulada de pele e mucosas e podendo causar importantes lesões cerebrais e retardo no desenvolvimento pôndero-estatural e psicomotor. 

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Cirurgia de Blalock-Taussig clássica (A) e modificada (B)

A proposta da cirurgia clássica de Blalock-Taussig consistia na conexão direta da artéria subclávia em um ramo da artéria pulmonar, aumentando o fluxo sanguíneo pulmonar e produzindo maior quantidade de sangue rico em oxigênio, aumentando a saturação sistêmica de oxigênio e melhorando a condição clínica do paciente. 

Posteriormente, surgiu a modificação da cirurgia de Blalock-Taussig, envolvendo o uso de uma prótese para realizar a anastomose entre as artérias subclávia e pulmonar. As vantagens da técnica modificada envolvem a facilidade para realizar o procedimento, menores taxas de obstrução da anastomose e menor risco de lesão iatrogênica. 

Sugestão de vídeo:

Blue Baby Syndrome – 75th Year Anniversary:

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