Cirurgia cardíaca definindo o momento ótimo na troca de valva aórtica

Em março de 2019, escrevi um texto neste mesmo blog falando sobre a viabilidade de realizar cirurgia cardíaca precoce em pacientes com estenose de valva aórtica ainda assintomático (clique aqui para ver o artigo). A questão continua, mesmo porque a escolha do momento apropriado de intervenção nos pacientes ainda assintomáticos, é controversa.

Outro estudo publicado recentemente, RECOVERY Trial(1), corroborou o que já havíamos visto e ainda ampliou a margem de tempo dos benefícios trazidos com a cirurgia precoce. Nele, 145 pacientes com estenose aórtica grave e assintomáticos foram randomizados entre cirurgia precoce e tratamento conservador. O tempo de acompanhamento foi de 8 anos, um tempo maior do que o artigo anterior.

O trial mostrou uma menor incidência do desfecho primário de mortalidade operatória ou morte por causas cardiovasculares durante o período de acompanhamento entre pacientes submetidos a cirurgia precoce do que entre aqueles que receberam tratamento conservador. Aos 4 anos de acompanhamento, a mortalidade foi de 1% x 6% e aos 8 anos, de 1% x 16%, para cirurgia e tratamento conservador, respectivamente (HR 0,09 / IC95% 0,01-0,67 / p=0,003).

Uma explicação dada pelos autores para essa diferença, é que a cirurgia precoce pareceu prevenir a morte súbita, porque nenhum caso ocorreu no grupo da cirurgia precoce. Por outro lado, no grupo de tratamento conservador, o risco anual de morte súbita tendia a aumentar durante a progressão da estenose aórtica antes do desenvolvimento dos sintomas.

Mais um estudo mostrando a importância e os benefícios de uma cirurgia precoce, caminhando para uma melhor definição do momento ótimo para o procedimento.

Referência

  1. Kang D-H, Park S-J, Lee S-A, Lee S, Kim D-H, Kim H-K, et al. Early Surgery or Conservative Care for Asymptomatic Aortic Stenosis. New England Journal of Medicine. 2019;382(2):111-9.
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