29/09: Dia Mundial do Coração e a cirurgia cardiovascular no SUS em 2025

As doenças do coração continuam sendo a principal causa de morte no Brasil. Por essa razão, é necessário contar com estrutura hospitalar adequada e capacidade de resposta rápida. Neste Dia Mundial do Coração, a consulta aos números oficiais nos permite compreender onde a assistência chega com eficiência e onde ainda há deficiências estruturais. Avaliamos os registros de internação hospitalar do Sistema Único de Saúde (SUS) referentes a todo o ano de 2025, analisando tanto a demanda clínica quanto os procedimentos cirúrgicos cardiovasculares, nas cinco regiões do país.

Ao longo de 2025, o SUS registrou 789.106 internações por doenças cardíacas na rede pública, o que equivale a uma taxa de 369,7 atendimentos para cada 100 mil habitantes. Quando observamos o perfil dessas internações, a insuficiência cardíaca (214.131 atendimentos) e o infarto agudo do miocárdio (201.178 atendimentos) aparecem como principais causas da demanda hospitalar, somando sozinhos mais de metade de todos os registros do país. Em seguida, a doença isquêmica aguda respondeu por 129.639 registros e as arritmias, por 89.281.

Em relação aos procedimentos cirúrgicos, após selecionar apenas as cirurgias cardiovasculares e descartar intervenções vasculares periféricas ou exames invasivos, identificamos 39.861 cirurgias cardíacas realizadas pelo SUS em 2025. Isso representa uma taxa nacional de 18,7 procedimentos por 100 mil habitantes. A revascularização do miocárdio foi a cirurgia mais executada no país, somando 23.163 procedimentos (58,1% do total), seguida pelas cirurgias valvares, com 12.236 casos (30,7%), e pela correção de cardiopatias congênitas, com 3.052 intervenções (7,7%).

A análise geográfica mostra disparidades expressivas no volume bruto de produção entre as Unidades da Federação. O estado de São Paulo liderou em números absolutos, com 8.733 cirurgias no ano, seguido por Minas Gerais, com 5.278, e pelo Paraná, com 5.191 procedimentos. Já estados da região Norte, como Rondônia e Roraima, registraram menos de 50 cirurgias cardíacas no ano inteiro, confirmando a histórica concentração de serviços de alta complexidade em determinados centros urbanos.

Quando ajustamos esses números pelo tamanho da população residente de cada localidade, a leitura regional ganha outro contorno. A região Sul apresentou a maior taxa populacional tanto de atendimentos clínicos (515,7 por 100 mil hab.) quanto de cirurgias cardíacas, alcançando 32,1 cirurgias por 100 mil habitantes, valor bem acima da média nacional. O Sudeste apresenta uma taxa cirúrgica de 20,1 por 100 mil habitantes, enquanto o Norte (12,1) e o Nordeste (12,8) registraram as menores taxas do país.

Para avaliar a capacidade de resposta das equipes cirúrgicas, analisamos a relação entre os registros de alta hospitalar com vida e os óbitos nas Autorizações de Internação Hospitalar. Como a unidade do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS) é o registro do procedimento e não o paciente único, os dados mostram que, de 39.861 procedimentos realizados, 37.039 evoluíram para alta com sucesso, resultando em uma taxa de sobrevivência de 92,9%. Nas revascularizações do miocárdio houve 21.681 altas com vida (93,6%) contra 1.482 óbitos, na cirurgia valvar registraram-se 11.294 altas (92,3%), nas congênitas foram 2.765 altas (90,6%) e na cirurgia da aorta registraram-se 28 altas hospitalares (75,7%).

A mortalidade hospitalar cirúrgica média no Brasil foi de 7,08% em 2025. A variação desse indicador entre as macrorregiões sugere o impacto das diferenças estruturais, do tempo de encaminhamento e da gravidade dos pacientes operados. O Nordeste e o Sudeste apresentaram as menores taxas de mortalidade hospitalar nas cirurgias, com 5,42% e 6,44% respectivamente, enquanto a região Sul registrou 8,17%, a região Norte 9,43% e o Centro-Oeste, 10,17%.

Os registros de 2025 evidenciam que a cirurgia cardiovascular brasileira, por meio do SUS, tem um papel decisivo na recuperação de dezenas de milhares de pacientes, apresentando taxas de sucesso superiores a 92%, mesmo diante de quadros de alta complexidade. Ao mesmo tempo, as assimetrias na distribuição dos procedimentos e nas taxas de mortalidade entre as regiões mostram que o fortalecimento dos centros regionais, o financiamento adequado das cirurgias alta complexidade e a descentralização do acesso continuam sendo os desafios mais urgentes para os próximos anos.

Referências

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS). Microdados de Internação Hospitalar. Brasília: Ministério da Saúde, 2025.
  2. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Diretoria de Pesquisas. Coordenação de População e Indicadores Sociais. Estimativas da população residente no Brasil e Unidades da Federação. Rio de Janeiro: IBGE, 2025.
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