A importância das plaquetas na falência do enxerto de veia safena

A veia safena é o enxerto mais conhecido durante a cirurgia de revascularização de miocárdio. Idealmente, esse enxerto deveria durar por toda a vida do paciente. Entretanto, alguns fatores são capazes de influenciar a patência da veia safena, culminando na perda do enxerto por oclusão ou estenose1.


Exames de imagem ilustrando enxerto de veia safena. Disponíveis em: http://www.rb.org.br/detalhe_artigo.asp?id=1018&idioma=Portugues [Acesso em: 30 jul. 2019].

Durante o primeiro ano após a cirurgia, a perda é decorrente de trombose, falhas técnicas ou hiperplasia do vaso, ao passo que, com mais de um ano pós-operatório, a principal causa de perda do enxerto é a aterosclerose. O principal fator envolvido nesse processo é a inflamação, aumentando a ativação plaquetária1,2.

São realizados diferentes estudos que buscam identificar os fatores de risco envolvidos na duração do enxerto. Sabe-se que idade avançada, diabetes mellitus, cirurgia prolongada e dislipidemia estão associados a uma menor duração. Por outro lado, pacientes que mantêm fração de ejeção preservada apresentam maior durabilidade do enxerto1,2.

Estudo realizado na Turquia e publicado no Brazilian Journal of Cardiovascular Surgery buscou identificar dados clínico-laboratoriais que pudessem predizer a falência do enxerto de veia safena. Os pesquisadores concluíram que a amplitude de variação do tamanho das plaquetas (mais conhecida pela sigla em inglês PDW, de platelet distribution width) é um bom parâmetro para esse objetivo, pois a alta PDW está relacionada à perda precoce do enxerto, sugerindo que a anisocitose é associada à maior ativação plaquetária, levando a processos de aterosclerose e posterior oclusão do vaso1.  

As plaquetas cumprem um papel importante na inflamação, liberando serotonina e outras substâncias oxidativas, propiciando o espessamento da parede do vaso, trombose e aterosclerose3. Outros estudos evidenciam que a relação plaquetas/linfócitos e o volume médio plaquetário também têm relação com a falência do enxerto4.

A falência do enxerto de veia safena é relativamente comum e depende de fatores relacionados tanto à cirurgia quanto ao paciente. O preparo da veia durante a operação e as terapias farmacológicas são medidas que visam a controlar o risco de falência. Identificar esse risco é útil no manejo pré e pós-operatório dos pacientes, visando a reduzir a morbimortalidade relacionada à intervenção cirúrgica nas doenças cardiovasculares.

Referências

  1. İyigün T, Kyaruzi MM, Timur B, Satılmışoğlu MH, İyigün M, Kaya M. The predictive effects of clinical hematological changes on saphenous graft patency after coronary artery surgery. Braz J Cardiovasc Surg. 2019;34(3):297-304.
  2. Hess CN, Lopes RD, Gibson CM, Hager R, Wojdyla DM, Englum BR, et al. Saphenous vein graft failure after coronary artery bypass surgery: insights from PREVENT IV. Circulation. 2014;130(17):1445-1451.
  3. Shukla N, Jeremy JY. Pathophysiology of saphenous vein graft failure: a brief overview of interventions. Curr Opin Pharmacol. 2012;12(2):114-120.
  4. Yayla C, Canpolat U, Akyel A, Yayla KG, Yilmaz S, Açikgöz SK. Association between platelet to lymphocyte ratio and saphenous vein graft disease. Angiology. 2015;67(2):133-138.

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