Reconstrução valvar aórtica com patch de pericárdio: atingimos o estado da arte?

Um grupo de pesquisadores da Universidade de Pernambuco responde a essa pergunta em um estudo publicado recentemente no Brazilian Journal of Cardiovascular Surgery. O artigo revisou 11 estudos publicados no Pubmed e sedimentou a noção de que a técnica é uma boa alternativa ao tratamento cirúrgico das patologias da valva aórtica, mas ainda não é conhecida por grande parte dos cirurgiões cardíacos.

A técnica estudada no artigo (Técnica de Ozaki) baseia-se na substituição dos três folhetos da valva aórtica utilizando um patch de pericárdio do paciente tratado com uma solução de glutaraldeído (1).

Seus principais benefícios incluem a não necessidade de anticoagulantes orais – principalmente em pacientes idosos -, ausência de risco de rejeição de enxerto e não necessidade de material externo, diminuindo assim os índices de infecção e endocardite.

Os resultados a longo prazo divulgados pelo grupo de Ozaki et al., demonstram uma diminuição significativa do gradiente pressórico de 68.9±36.3mmHg para 15.2±6.3 mmHg em 8 anos após a cirurgia utilizando a técnica reconstrutiva. Além disso, não houve nenhuma conversão para o procedimento aberto a apenas 1,5% dos pacientes necessitaram de outra intervenção (2). A tabela abaixo demonstra os principais resultados divulgados pelo grupo:

O vídeo abaixo demonstram exatamente a sequência do procedimento:

O artigo na íntegra pode ser acessado no link: http://static.bjcvs.org/pdfRBCCV/v34n5a17.pdf

Outros artigos da edição: https://bjcvs.org

Referências:

(1) Ozaki S, Kawase I, Yamashita H, Uchida S, Nozawa Y, Matsuyama T, et al. Aortic valve reconstruction using self-developed aortic valve plasty system in aortic valve disease. Interact Cardiovasc Thorac Surg. 2011;12(4):550-3. doi:10.1510/icvts.2010.253682.

(2) Ozaki S, Kawase I, Yamashita H, Uchida S, Takatoh M, Kiyohara N. Midterm outcomes after aortic valve neocuspidization with glutaraldehyde-treated autologous pericardium. J Thorac Cardiovasc Surg. 2018;155(6):2379-87. doi:10.1016/j.jtcvs.2018.01.087

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