Vladimir Demikhov: A história da Criação do Primeiro Coração Artificial do Mundo

Em tempos de aumento do uso da assistência circulatória, é interessante lembramos de como foram os primeiros anos dessa tecnologia.

Os anos eram 1930 e a ideologia Cartesiana estava espalhada na antiga União Soviética. Essa ideologia influenciou bastante os cientistas da época, que acreditavam que a ação humana na natureza poderia criar coisas antes nunca imagináveis, dentre elas, um coração artificial.

Vladimir Demikhov nasceu no dia 18 de Julho de 1918, no sul do era o Império Russo. Foi criado numa pequena vila, habitada por cossacos que protegiam as fronteiras do sul, os quais influenciaram bastante sua personalidade.

Quando jovem, trabalhou numa fábrica local de tratores, onde adquiriu várias das habilidade manuais que usou posteriormente em seus inventos. Aos 18 anos, ingressou na Universidade Estadual de Voronej, região central da Rússia, no curso de Biologia. Lá, acompanhou o famoso fisiologista Pyotr Nikiforovsky, que foi aluno de Ivan Pavlov.

Pyotr Nikiforovsky possuía uma máquina de circulação extracorpórea, chamada de “autojector”. Essa máquina havia sido inventada pelo médico Sergei Bryukhonenko e estava sendo usada em experimentos com cães em substituição do coração.

No final de 1937, aos 21 anos Demikhov construiu o coração mecânico, que foi utilizado no primeiro teste animal em um cachorro no começo de 1938. No experimento, o animal ficou 12 minutos sem circulação, e logo após, foi inserido o dispositivo com um motor externo elétrico.

Após 16 minutos de reperfusão, o animal recobrou sinais de vida, com reflexos pupilares, oculares e respiratórios. Acredita-se que o dispositivo era feito com uma carcaça de uma bomba de aço e tubos de borracha, e as válvulas de borracha. Em 1959, Demikhov publicou o primeiro desenho da criação. Posteriormente, escreveu sua monografia intitulada: ““Transplantation of Vital Organs in Experiments”, na qual descreve o feito. O coração mecânico consistia em duas bombas com diafragmas, que funcionavam como os ventrículos cardíacos. Ela possuía duas cânulas arteriais e duas cânulas venosas, sendo a venosa conectada no átrio e as arteriais, na aorta e na pulmonar.

Os átrios eram ligados aos ventrículos artificiais, e depois, os ventrículos do animal eram removidos. O aparelho exercia a função dos ventrículos, com o tórax do animal fechado. Após a instalação, o dispositivo conseguia manter o animal vivo de 2,5 horas a 5 horas e 30 minutos.

Após os experimentos de 1838, Demikhov teve um hiato em suas pesquisas ao servir ao Exército Vermelho como patologista, durante a Segunda Guerra Mundial. Quando voltou da guerra, o pesquisador se concentrou na melhora do dispositivo, com o objetivo de conseguir um transplante cardíaco. Apesar de sua história permanecer pouco conhecida pela ciência mundial, seus trabalhos demonstram um pioneirismo relevante para o começo dos transplantes no mundo.

Referências:

1. Michurin IV: Results of Sixty Years’ Work. 5th ed. [in Russian]. Moscow, Publishing House “OGIZ-SELHOGIZ,” 1949: XI.

2. Vinogradov N: Students’ scientific works [in Russian] Za nauchnyye kadry (Voronezh). 1938; 25(May 7): p. 4.

3. Demikhov VP: Heart transplantation—is it possible? [in Russian]. Moscow, Publishing House “Znanie,” 1959: p. 29.

4. Demikhov VP: Transplantation of vital organs in experiments [in Russian]. Moscow, Publishing House “Medgiz,” 1960: p. 186–187.

5. Rekashova HF, Iankovskyi VD: On the production and some properties of a new synthetic blood stabilizer—synanthrin C (synanthrol No. 20) [in Russian]. Physiol J (Kiev), 5: 676–681, 1961.

6. Demikhov VP: Experimental Transplantation of Vital Organs (Translator, Basil Haigh), New York, NY Plenum Press, 1962.

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