Um Panorama Geral Sobre o TAVI no Brasil

A estenose aórtica afeta entre 3 e 5% na população com mais de 75 anos de idade. Tal condição tende a aumentar sua prevalência, já que a taxa mundial de idosos acima de 65 anos até 2050 deve quadruplicar (21,5% da população mundial), conforme o IBGE. O implante transcateter de válvula aórtica (TAVI, do inglês transcatheter aortic valve implantation) consiste na modalidade de tratamento destinada, principalmente, aos pacientes com estenose aórtica grave e risco cirúrgico intermediário e elevado.

Estudos comprovaram que o procedimento pode ser realizado com anestesia tanto geral como local, sem diferença na mortalidade após 30 dias. Esse método não necessita de esternotomia ou de circulação extracorpórea, sendo muito menos invasivo, mas também possui complicações quando comparado à cirurgia convencional, como maior prevalência de ruptura aórtica, oclusões coronarianas e maior refluxo para-valvar, apesar de suas baixas incidências. Além disso, TAVI tem sido indicado em pacientes já submetidos à troca valvar cirúrgica que apresentam disfunção da prótese aórtica (estenose ou insuficiência). Ainda estão sendo estudadas outras indicações para o procedimento.

O método de inserção mais utilizado pelos profissionais atualmente é o transfemoral, apesar de ser a via de acesso mais cara dentre as disponíveis – custo médio de R$ 82.826,38 em um hospital de ensino governamental do estado de São Paulo.

Ademais, o mercado de equipamentos médicos tem desenvolvido diversos tipos de próteses aórticas, cada uma com indicação e peculiaridade próprias. Existem as da primeira geração e as da nova geração, assim como as de balão expansível, automática ou mecanicamente. Edwards, Medtronic e Boston Scientific são as empresas mais empenhadas no desenvolvimento e aperfeiçoamento de válvulas aórticas para o mercado brasileiro.

Ainda que o TAVI tenha sido reproduzido pela primeira vez no início dos anos 2000 por Alan Cribier, diversos avanços já foram realizados na técnica do procedimento, no material utilizado e nas indicações técnicas. Mesmo tendo sido aprovado pelo sistema de saúde suplementar do Brasil em 2013, infelizmente o procedimento ainda não está incluído nas políticas de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS). Dessa forma, grandes pesquisas e estudos estão sendo desenvolvidos nos grandes centros brasileiros para obter dados econômicos, técnicos e profissionais a fim de assegurar a racionalização de recursos e perspectivas futuras ao SUS. Por fim, os pacientes com estenose aórtica elegíveis ao TAVI devem ser analisados um a um, preferencialmente por uma equipe multidisciplinar e especializada, quanto à aplicabilidade do procedimento e seus benefícios, sempre em busca de melhor qualidade de vida e aumento de sobrevida dos pacientes.

Exemplos de válvulas e técnicas de inserção.

 

 

Referências

1. Bittar E, Castilho V. O custo do implante por cateter de bioprótese valvar aórtica nas diferentes vias de acesso. Rev Esc Enferm USP. 2017;51.

2. de Oliveira Junior GE, PRL Prates, Manica A, Sarmento-Leite R. Transcatheter aortic valve implant (TAVI): where we are in 2018. Rev Soc Cardiol Estado de São Paulo. 2018;28(1):47-53.

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